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Nemesis

Deusa da retribuição pela arrogância diante dos deuses.

Nêmesis, também conhecida como Ramnúsia, era a deusa grega antiga que personificava a retribuição pela hýbris — o pecado da arrogância diante dos deuses. Seu nome vem da palavra grega *némein*, que significa "dar o que é devido", remontando à raiz protoindo-europeia *nem- para "distribuir". Originalmente, o termo "nêmesis" referia-se ao distribuidor da fortuna, nem boa nem má, mas na proporção do que cada pessoa merecia. Com o tempo, nas obras de Heródoto e Píndaro, passou a significar o ressentimento causado pelo desequilíbrio dessa balança e o senso de justiça que exigia punição. A partir do século IV, Nêmesis também foi associada a Tique como a justa equilibradora do acaso da fortuna.

De acordo com a *Teogonia* de Hesíodo, Nêmesis era uma das filhas de Nix (Noite) sozinha, com irmãos incluindo Moros (Destino), Ker (morte violenta), Éris (Discórdia), Hipnos (Sono), Apate (Engano), Tânatos (Morte), os Oneiros (Sonhos), Momo (Censura), as Moiras (Destinos) e Oizis (Miséria). Pausânias a descreveu como filha de Oceano, enquanto *De astronomia* a tornou filha de Érebo e Nix. Algumas tradições nomearam Zeus como seu pai, com uma mãe anônima. Em vários relatos, Nêmesis foi a mãe de Helena de Troia por Zeus; Helena foi então adotada e criada por Leda e Tíndaro. O estudioso bizantino Tzetzes registrou que Baquílides considerava Nêmesis a mãe dos Telquines por Tártaro. Por Zeus, ela também gerou os gêmeos divinos Castor e Pólux.

Na mitologia grega, Nêmesis aparece como a justiça implacável, muitas vezes a de Zeus na ordem olímpica, embora ela claramente existisse antes dele. Suas imagens se assemelham às de deusas como Cibele, Reia, Deméter e Ártemis. Nas tragédias gregas, ela é principalmente a vingadora do crime e punidora da hýbris, semelhante a Ate e as Erínias. Era às vezes chamada de Adrasteia, que significa "aquela de quem não há escape", e seu epíteto Erínis ("implacável") foi aplicado a Deméter e à deusa mãe frígia Cibele. Hesíodo escreveu que "a mortal Nix gerou Nêmesis, uma aflição para os mortais sujeitos à morte."

Numa tradição menos comum, Nêmesis — e não a rainha espartana Leda — é a mãe de Helena de Troia. Essa história aparece pela primeira vez na epopeia perdida *Cípria*, o prelúdio da *Ilíada*, de Estasino de Chipre. Zeus se apaixonou por Nêmesis, possivelmente sua própria filha, e a perseguiu enquanto ela fugia envergonhada, assumindo várias formas para escapar.

Field
Greek mythology and religion
Nationality
Greek
Known for
Personification of retribution for hubris; mother of Helen of Troy in some traditions; goddess of Rhamnous
Parents
Nyx (alone, per Hesiod); Oceanus (per Pausanias); Erebus and Nyx (in De astronomia); Zeus (by an unnamed mother, in some traditions)
Siblings
Moros, Ker, Eris, Hypnos, Apate, Thanatos, Oneiroi, Momos, Moirai, Oizys (per Hesiod)
Children
Helen of Troy (by Zeus); Castor and Pollux (by Zeus); Telchines (by Tartarus, per Bacchylides via Tzetzes)

Contexto e história

Nêmesis era originalmente a distribuidora da fortuna, dando a cada um o que merecia. Com o tempo, passou a representar o ressentimento causado pela perturbação dessa proporção e a justiça que pune a hýbris. Nas tragédias gregas, ela aparece como a vingadora do crime, semelhante a Ate e as Erínias, e era às vezes chamada de Adrasteia, que significa 'aquela de quem não há escape'. Seu epíteto Erínis foi aplicado a Deméter e Cibele.

Em algumas tradições, Nêmesis foi a mãe de Helena de Troia por Zeus. De acordo com a epopeia perdida Cípria, Zeus perseguiu Nêmesis, que fugiu envergonhada, transformando-se em várias formas. Ele eventualmente a violentou, produzindo um ovo que foi dado a Leda, que criou Helena. Noutra versão, Zeus se transformou em cisne e Nêmesis, com pena dele, ofereceu refúgio e foi violentada enquanto dormia.

Nêmesis aplicou retribuição a Narciso por sua vaidade, atraindo-o a uma lagoa onde ele se apaixonou pelo próprio reflexo e morreu. Ela também puniu a virgem Aura a pedido de Ártemis, fazendo com que Dionísio a violentasse após ela se vangloriar de sua superioridade.

Guia do leitor

Nêmesis desempenhava um papel significativo na religião grega como reguladora da justiça e do equilíbrio moral, não apenas como punidora da hýbris. Seu culto em Ramnunte, na Ática, apresentava uma estátua de Fídias feita de mármore de Paros trazido pelos persas após a Batalha de Maratona. Ela era representada como uma deusa alada com um chicote, adaga, vara de medir, freio, balanças, espada e açoite, muitas vezes montando uma carruagem puxada por grifos. Em Esmirna, existiam duas manifestações de Nêmesis, possivelmente representando aspectos bondosos e implacáveis. Em Roma, era uma divindade tutelar do campo de treino militar e aparecia em moedas imperiais como Nêmesis-Pax. Seu festival, as Nemeseias, era realizado em Atenas para evitar a nêmesis dos mortos. O poeta Mesomedes escreveu um hino a ela, dirigindo-se a ela como a 'equilibradora alada da vida'. O legado de Nêmesis perdura como um símbolo da justiça retributiva e da restauração da ordem cósmica quando os limites morais são violados.

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